Recentemente tive a oportunidade de ler um texto* sobre as TICs, nas perspectivas de Paulo Freire e Bakhtin, remetendo à necessidade de refletir sobre os recursos tecnológicos não como meros recursos técnicos ou meios que veiculam conteúdos pedagógicos, mas como novos processos de aprendizagem que oferecem possibilidades de renovar ou mesmo romper com a concepção do modelo tradicional da educação. Recortei alguns tópicos para reflexão:
“Mais importante que a tecnologia, é a práxis do educador e vice-versa, o que confere sentido e significado à comunicação”
“... é preciso considerar que a presença das novas tecnologias nos processos educativos – presenciais ou a distância – vem se difundindo amplamente nos últimos anos, o que nos obriga, e obrigará cada vez mais, a repensar estratégias de formação do professor/leitor em educação.”
“...Para ele(referindo-se a Freire) uma liderança que não seja dialógica está mantendo o ‘dominador’ dentro de si mesma, como uma sombra...Diante disso é necessário um olhar vigilante, amoroso e atento sobre nós mesmos, se queremos, de fato, sermos transformadores.”
“...o educador cujo diálogo seja polifônico (poético) tenderá a respeitar os alunos e orientará a mistura de suas falas e vozes, não no sentido ainda restrito do consenso, mas em uma abordagem plural, pois a heterologia ou pluridiscursividade (Bakhtin) é uma das características do dialogismo polifônico e constitui, do ponto de vista da pedagogia do oprimido (Freire), um diálogo rumo à emancipação...”
“...mais importante que os meios (a tecnologia), é a práxis do educador com os educandos – e vice-versa ...”
“sob uma perspectiva dialética as TICs podem alcançar os objetivos de uma comunicação efetivamente libertadora; se tomarmos decisões conscientes sobre os meios e sua função no processo educativo. Caso contrário, cria-se a ilusão de democracia e de interatividade em uma realidade que é, de fato, fabricada pela mídia e os donos do poder.”
“...novos processos de aprendizagem que oferecem possibilidades de renovar ou mesmo romper com a concepção do modelo tradicional da educação instaurando uma outra práxis comunicacional.”
* elaborado por: Raquel de Almeida Moraes – pesquisadora e professora da Universidade de Brasília; Ângela Correia Dias e Leda Maria Rangearo Fiorentini – estudantes de pós-graduação da Universidade de Brasília/DF, Julho – 2006, Revista Unirevista, vol. I, nº 3.