Educar para a esperança de dias melhores é um
desafio para qualquer educador. Pais, mães, professores, tutores e pessoas que
cuidam de crianças ficam impotentes diante de comportamentos, que requerem
intervenções para mudança comportamental adequada ao convívio social.
Fatos marcantes aconteceram recentemente em
que uma família foi supostamente morta por um membro adolescente. Uma pergunta
inquietante: ninguém havia percebido algo ameaçador no comportamento do
adolescente?
Vem se falando de bullyng, um tipo de
violência psicológica que assombra crianças e adolescentes, tanto na escola
quanto no meio familiar e que muitas vezes é apontado como desencadeador de
comportamentos não aceitos socialmente. Outros fatores como psicose e
distúrbios neuronais também entram neste cenário. Aliás, poderíamos enumerar
quantos fatores provocariam comportamentos inadequados do ponto de vista
social.
Viver em sociedade é uma condição de
sobrevivência, é característica humana e cultural, qualquer comportamento que
não contribua para o bom convívio, é um comportamento inadequado. É importante
identificar os comportamentos inadequados e buscar, com afinco, as suas causas
e consequências, a fim de promover o convívio harmonioso do sujeito em seu meio
social.
Cabe aos profissionais, principalmente da
Saúde e da Educação, conciliar métodos educativos e medicamentos, trabalhando
em conjunto. Escola, família, médicos e terapeutas precisam de um trabalho
integrado, comungar ideias e dividir responsabilidades sobre determinados casos
que envolvam comportamentos sociais. O que se vê é professores solitários, cuja
didática está desvinculada do contexto patológico, numa inércia excludente, por
ignorância que justifica a sua função.
Professor não é terapeuta, não é sociólogo,
não é fonoaudiólogo, não é médico. Professor trabalha com indivíduos que muitas
vezes precisam destes especialistas, como também necessitam de respaldo deles.
Um processo educacional, emergente, que vai além de “dar aula”, ensina coisas
úteis para a vida e principalmente para o bem estar do indivíduo e do seu
entorno.
Uma proposta educativa engajada com uma
equipe de profissionais de diferentes áreas, talvez não evitasse algumas
mazelas humanas, mas com certeza daria resposta à sociedade, sem ficar nos
“achismos” e nas controvérsias das falas de muitos, contrapondo a poucas falas
daqueles que lidam com as crianças e com os adolescentes.
O MEC há tempos sinaliza para que os governos
criem centros de atendimentos multiprofissionais para crianças e jovens. Isso
parece não ter caído no entendimento, ainda. As crianças e adolescentes são
nossa responsabilidade, não podemos ficar sem respostas às perguntas que cabem
à Educação e à Saúde.
Eugênia Braga - pedagoga e jornalista da revista regional "Trânsito Aberto".