domingo, 8 de setembro de 2013

Educar... tarefa para muitos!

             Educar para a esperança de dias melhores é um desafio para qualquer educador. Pais, mães, professores, tutores e pessoas que cuidam de crianças ficam impotentes diante de comportamentos, que requerem intervenções para mudança comportamental adequada ao convívio social.
Fatos marcantes aconteceram recentemente em que uma família foi supostamente morta por um membro adolescente. Uma pergunta inquietante: ninguém havia percebido algo ameaçador no comportamento do adolescente?
Vem se falando de bullyng, um tipo de violência psicológica que assombra crianças e adolescentes, tanto na escola quanto no meio familiar e que muitas vezes é apontado como desencadeador de comportamentos não aceitos socialmente. Outros fatores como psicose e distúrbios neuronais também entram neste cenário. Aliás, poderíamos enumerar quantos fatores provocariam comportamentos inadequados do ponto de vista social.
Viver em sociedade é uma condição de sobrevivência, é característica humana e cultural, qualquer comportamento que não contribua para o bom convívio, é um comportamento inadequado. É importante identificar os comportamentos inadequados e buscar, com afinco, as suas causas e consequências, a fim de promover o convívio harmonioso do sujeito em seu meio social.
Cabe aos profissionais, principalmente da Saúde e da Educação, conciliar métodos educativos e medicamentos, trabalhando em conjunto. Escola, família, médicos e terapeutas precisam de um trabalho integrado, comungar ideias e dividir responsabilidades sobre determinados casos que envolvam comportamentos sociais. O que se vê é professores solitários, cuja didática está desvinculada do contexto patológico, numa inércia excludente, por ignorância que justifica a sua função.
Professor não é terapeuta, não é sociólogo, não é fonoaudiólogo, não é médico. Professor trabalha com indivíduos que muitas vezes precisam destes especialistas, como também necessitam de respaldo deles. Um processo educacional, emergente, que vai além de “dar aula”, ensina coisas úteis para a vida e principalmente para o bem estar do indivíduo e do seu entorno.
Uma proposta educativa engajada com uma equipe de profissionais de diferentes áreas, talvez não evitasse algumas mazelas humanas, mas com certeza daria resposta à sociedade, sem ficar nos “achismos” e nas controvérsias das falas de muitos, contrapondo a poucas falas daqueles que lidam com as crianças e com os adolescentes.

O MEC há tempos sinaliza para que os governos criem centros de atendimentos multiprofissionais para crianças e jovens. Isso parece não ter caído no entendimento, ainda. As crianças e adolescentes são nossa responsabilidade, não podemos ficar sem respostas às perguntas que cabem à Educação e à Saúde.
Eugênia Braga - pedagoga e jornalista da revista regional "Trânsito Aberto".