Quem irá colocar o sino no gato?
Quando se fala em inclusão é o mesmo que falar
que todos os alunos tem o mesmo direito ao atendimento escolar. A inclusão
escolar está acontecendo com muitos desafios a serem vencidos e a atenção, de
modo geral, concentra-se nos projetos educativos, reformas e adequações prediais
para favorecer a acessibilidade.
É evidente que a maioria das escolas
ainda não encontrou uma forma que efetive a inclusão. Dentre as causas
apontadas, por estudiosos no assunto, ressalta a falta de orientação e formação
dos professores com relação ao atendimento às diferentes deficiências. Para o
sucesso da inclusão é necessário que o professor se sinta seguro e esteja apto
a intervir de forma adequada, em cada situação.
Outro entrave, que permeia o
âmbito escolar, é a falta de discussão aberta e ampla sobre a inclusão com a
comunidade escolar, onde a idéia da segregação dos alunos em classes especiais,
ainda é muito forte. E isto acontece muitas vezes porque falta um plano de
ações eficiente para incluir determinado aluno na escola. Além do mais, muitos
professores, por sentirem-se despreparados para ensinar, acabam por aderir às ideias
da segregação do passado, enfraquecendo as ações inclusivas que costumam partir
de instâncias administrativas superiores.
As ideias de inclusão e as
ações devem ser previstas no planejamento, elaborado pela própria comunidade
escolar, muito conhecida pelos professores de PPP – Projeto político-pedagógico
–, onde é explicitada a dinâmica de atendimento aos alunos deficientes e
tratada a inclusão de forma globalizante, respeitando as diferenças.
Um plano de atendimento ao
aluno com deficiência tem que ser claro, bem definido, e contemplar inclusive
qual a forma de capacitação, orientação e apoio ao professor. Deve ser construído
pela própria escola, porque acredita-se que a comunidade escolar conhece melhor
suas necessidades e tem condições de apresentar propostas eficazes. Então, na hora do planejamento, o mais importante
que o uso de terminologias pomposas é garantir a transformação de boas ideias e
das palavras bonitas e rebuscadas em ações exeguíveis.
Na hora do planejamento para
prever ações proativas a favor da inclusão, a parábola a seguir nos remete a
uma boa reflexão. “Os ratos fizeram uma
convenção e tiveram uma ótima ideia de colocar um sino no gato, para que todos
percebessem a presença do felino e então se safar de um destino cruel. Todos
aprovaram a proposta, porém um ratinho perguntou: -- quem irá colocar o sino no
gato?” – Não precisamos fazer
esforço para saber no que deu a brilhante idéia.
É importante a participação
na elaboração do PPP, dos professores, alunos e seus pais ou responsável e de todos
que estejam diretamente ou indiretamente envolvidos nas ações escolares,
transformando o planejamento num processo de reflexão-ação-reflexão, onde as
ações são executáveis.
Eugênia Braga - Pedagoga, especialista em Gestão, Orientação e Supervisão Escolar.
Eugênia Braga - Pedagoga, especialista em Gestão, Orientação e Supervisão Escolar.