quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
Educar considerando o livre-arbítrio.
Segundo
o dicionário Aurélio, livre-arbítrio é a liberdade que o homem tem para agir
conforme a própria vontade, também o mesmo que autodeterminação. Na Wikipédia,
enciclopédia digital, livre arbítrio
é a capacidade de escolha pela vontade humana entre o bem e o mal, entre o
certo e o errado, conscientemente conhecidos, sendo crença religiosa ou uma
proposta filosófica.
Para
Santo Agostinho, obra do ano de 395 – De Libero Arbítrio – o livre-arbítrio está
ligado a escolha do bem ou do mal. Para a filosofia, o livre-arbítrio tem
origem no Determinismo que defende que todos os acontecimentos são causados por
fatos anteriores, sendo assim entendido
que o indivíduo faz exatamente aquilo que tinha que fazer, seus atos são suas
vontades, relacionadas ou ligadas a causas internas ou externas à pessoa.
A Revista
Veja (abril/acervo digital) surpreendeu muita gente, com a notícia de que os neurocientistas
realizaram, recentemente, pesquisas que sugerem que o que cremos como escolhas
conscientes são decisões tomadas pelo cérebro. Eles defendem a tese de que o
órgão toma decisões antes mesmo de pensarmos nelas. Assim o cérebro é comparado
a um “computador de carne”, causando muita polêmica no meio científico.
Nesta discussão
sobre o livre-arbítrio, não deixam de existir aqueles que acreditam que o
destino está escrito nas estrelas, é ditado por Deus, pelos instintos, ou pelos
condicionamentos sociais.
Refletindo
sobre essas ideias, levo para a Educação (da escola e da família) o fato de
termos cada vez mais de nos preocuparmos com nossas crianças e adolescentes,
que estão cada vez mais vulneráveis às informações diversas que estimulam o
cérebro a pensar e criar formas de conhecimentos que muitas vezes não são
percebidos pelos adultos que o educam.
Pior que
a ignorância do educador é o fato de tais conhecimentos, construídos pelas
crianças e adolescentes, estejam sob bases de valores longe dos ideais
solidários, fraternos, democráticos e humanos. Educar para o amor, para a
resolução de conflitos, para o resgate à vida social, parece ser tarefa só dos
religiosos, mas não é! É tarefa de todos.
Onde
entra o livre-arbítrio? Entra na clareza que devemos ter que todos, inclusive
as crianças e bebês, tomam decisões embasadas em seu modo de ver e sentir o
mundo e somos nós educadores que temos que dar subsídios para que sejam construídos
conhecimentos compatíveis com a convivência social, embasados no respeito às
diferenças, à religião, às diferenças culturais de forma a conciliar o que
cremos e queremos com o outro.
Educar
neste sentido é considerar que tudo que fazemos, falamos e transmitimos com
nossos gestos e trejeitos, são percebidos pela criança e muitas vezes
considerados, por elas, como modelo a ser seguido. Vale pensar: até que ponto o
nosso livre-arbítrio está a favor de uma boa educação?
Maria Eugênia - Professora e Jornalista (Revista Trânsito Aberto)
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
domingo, 8 de setembro de 2013
Educar... tarefa para muitos!
Educar para a esperança de dias melhores é um
desafio para qualquer educador. Pais, mães, professores, tutores e pessoas que
cuidam de crianças ficam impotentes diante de comportamentos, que requerem
intervenções para mudança comportamental adequada ao convívio social.
Fatos marcantes aconteceram recentemente em
que uma família foi supostamente morta por um membro adolescente. Uma pergunta
inquietante: ninguém havia percebido algo ameaçador no comportamento do
adolescente?
Vem se falando de bullyng, um tipo de
violência psicológica que assombra crianças e adolescentes, tanto na escola
quanto no meio familiar e que muitas vezes é apontado como desencadeador de
comportamentos não aceitos socialmente. Outros fatores como psicose e
distúrbios neuronais também entram neste cenário. Aliás, poderíamos enumerar
quantos fatores provocariam comportamentos inadequados do ponto de vista
social.
Viver em sociedade é uma condição de
sobrevivência, é característica humana e cultural, qualquer comportamento que
não contribua para o bom convívio, é um comportamento inadequado. É importante
identificar os comportamentos inadequados e buscar, com afinco, as suas causas
e consequências, a fim de promover o convívio harmonioso do sujeito em seu meio
social.
Cabe aos profissionais, principalmente da
Saúde e da Educação, conciliar métodos educativos e medicamentos, trabalhando
em conjunto. Escola, família, médicos e terapeutas precisam de um trabalho
integrado, comungar ideias e dividir responsabilidades sobre determinados casos
que envolvam comportamentos sociais. O que se vê é professores solitários, cuja
didática está desvinculada do contexto patológico, numa inércia excludente, por
ignorância que justifica a sua função.
Professor não é terapeuta, não é sociólogo,
não é fonoaudiólogo, não é médico. Professor trabalha com indivíduos que muitas
vezes precisam destes especialistas, como também necessitam de respaldo deles.
Um processo educacional, emergente, que vai além de “dar aula”, ensina coisas
úteis para a vida e principalmente para o bem estar do indivíduo e do seu
entorno.
Uma proposta educativa engajada com uma
equipe de profissionais de diferentes áreas, talvez não evitasse algumas
mazelas humanas, mas com certeza daria resposta à sociedade, sem ficar nos
“achismos” e nas controvérsias das falas de muitos, contrapondo a poucas falas
daqueles que lidam com as crianças e com os adolescentes.
O MEC há tempos sinaliza para que os governos
criem centros de atendimentos multiprofissionais para crianças e jovens. Isso
parece não ter caído no entendimento, ainda. As crianças e adolescentes são
nossa responsabilidade, não podemos ficar sem respostas às perguntas que cabem
à Educação e à Saúde.
Eugênia Braga - pedagoga e jornalista da revista regional "Trânsito Aberto".
domingo, 18 de agosto de 2013
Educai as crianças... para o Mundo Virtual.
Estamos
vivendo numa época de importantes movimentos sociais e compondo uma nova ordem
social caracterizada pelos meios de comunicação e acesso fácil às informações.
A Internet é o foco, pois possibilita o acesso à informação em tempo real,
mantendo-a em tempo indeterminado, possibilitando a construção de conhecimentos
de forma mais ampla e abrangente. Basta ter uma máquina conectada para ter
acesso a informação de qualquer natureza e aí está a grande preocupação da
família e da escola.
A Educação é
comparada a um caleidoscópio, que segundo a Wikipédia (enciclopédia livre
virtual) é formado por um pequeno tubo, com pequenos pedaços de vidro
coloridos, que com o reflexo da luz, apresentam, a cada movimento, combinações
variadas e imagens simétricas, interessantes e prazerosas de serem olhadas.
Assim é a educação: as informações, iguais aos pedaços coloridos, passam pela
luz – que neste caso é comparada com a nossa capacidade de refletir –, criam
novas formas de pensamentos que geram conhecimentos e nos proporcionam o prazer
da aprendizagem das coisas que são interessantes à vida.
Nesta
perspectiva a Internet é uma ferramenta social muito importante para a
aprendizagem, sendo de interesse da escola em tê-la como aliada. Contudo ela
vai além dos interesses escolares, sendo usada para o entretenimento (jogos,
bate-papos, blogs e outros) criando novos hábitos de brincar, principalmente
entre as crianças. Assim, unindo o
prazer de conhecer, de criar conhecimentos, de aprender e de se divertir e
considerando que a Internet é o mundo real numa forma virtual, as crianças e
adolescentes estão cada vez mais vulneráveis a modelos de vida que não condizem
com a formação familiar e escolar.
Não há forma
efetiva de controle do acesso das crianças e dos adolescentes a qualquer
conteúdo na Internet. São veiculados conteúdos impróprios para determinadas
idades, propostas de vida complexas, valores sociais deturpados, exemplificando:
vídeos pornográficos, seitas e misticismos variados, formação de grupos e
gangues e outros. Também na busca de assuntos científicos e em formas de entretenimentos,
as crianças acabam tirando conclusões equivocadas com bases nas características
do pensamento infantil, dificultando a compreensão da realidade. Assim posto,
diante do mundo virtual toda a criança e adolescente – às vezes, até os adultos
– precisam de orientações de pessoas mais experientes para entender o conteúdo
nos quais foram expostos.
. A
orientação é que os pais e responsáveis estejam juntos para aconselhar,
orientar ou mesmo bloquear certos assuntos. Assim como na vida, quando saímos
para um passeio, não devemos ficar atentos às crianças e ir orientando-as e
aconselhando durante todo o tempo? Na Internet também devemos acompanhar os
“passeios” das crianças no mundo virtual. O problema é organizar o tempo para
isso... quem sabe dessa necessidade de acompanhamento, já existam estudos ou
mesmo uma ferramenta “educadora”, uma Rose, aquela do desenho da “Família
Jetson”, que tenha condições de fazer este acompanhamento, reconhecendo e
orientando as crianças enquanto os pais estão fora de casa.
eugeniabraga@bol.com.br
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Educar para a Democracia é o melhor caminho.
Diante das
manifestações que sacudiram centenas de cidades do país, cujos gritos vindos de
diferentes segmentos sociais e, principalmente, por serem os jovens os
protagonistas dos movimentos, deixaram perplexos e confusos as lideranças de
todo o Brasil. O que os jovens queriam com tanto fervor? Muitas vozes surgiam dentro
dos movimentos, reivindicando melhoria para o Brasil: na Educação, Saúde,
Transporte, Segurança e por aí vai um rosário de reivindicações.
Alguns
jornalistas e cientistas sociais analisaram e analisam a situação pelo prisma da
geração passada – a família desses jovens. Seus pais viveram em épocas de
importantes mobilizações: nos anos 80, com as “Diretas Já” que lutavam pela
instauração da democracia no país e, nos anos 90, os jovens de “caras-pintadas”
realizaram o movimento que tinha como objetivo principal o impeachment do Presidente Fernando Collor de Melo e sua retirada do posto. E é nesta visão de democracia que o
foco vira para a Educação.
Estudos
realizados na área de desenvolvimento psicológico e educação anunciam que a
família, por ser dentro dela que se realizam as experiências básicas e entre
elas a aprendizagem de sistema de valores, da linguagem, do controle de
impulsividade, etc., tem função importante na formação da pessoa. Foram
identificados padrões de comportamento dos pais e os efeitos sobre o
desenvolvimento social e da personalidade de seus filhos e classificados em três
categorias.
A primeira
refere-se aos pais autoritários que exercem sobre a criança altos níveis de
controle, de exigências de amadurecimento, porém apresentam baixos níveis de
comunicação e demonstração de afeto. Neste caso os filhos demonstram
obediência, são ordeiros e pouco agressivos, contudo são pouco persistentes ao
perseguir metas e apresentam-se tímidos, baixa autoestima e dependência (são
inseguros e sentem-se incapazes de realizarem as atividades por si só). São pouco
alegres, receoso, mais coléricos, infelizes e irritáveis, sendo vulneráveis às
tensões, devido à falta de comunicação desses pais.
A
segunda categoria trata sobre pais permissivos. Eles exercem sobre os filhos pouco
controle e exigências de amadurecimento, mas muita comunicação e afeto. Consultam
os filhos diante de tomada de decisões que envolvem a família. Esta categoria
não exige dos filhos responsabilidades e ordem. Os filhos tem dificuldade em
assumir responsabilidade e também tem problemas no controle de impulsos. Em
geral são imaturos, têm baixa autoestima, por outro lado são mais alegres em
comparação com os filhos dos pais autoritários.
Enfim, a última
categoria diz respeito aos pais democráticos, que educam seus filhos com níveis
altos de comunicação e de afeto, como também é alto os níveis de controle e exigência
de amadurecimento. Esses pais evitam os castigos e costumam reforçar com
frequência o comportamento dos filhos com afeto e também atendem às solicitações
de atenção da criança. Seus filhos tendem a ter altos níveis de autocontrole e
autoestima e maior capacidade para enfrentar situações novas e persistência nas
tarefas que iniciam. Tornam-se interativos, independentes e carinhosos e apresentam
valores morais interiorizados, julgam os atos pelos propósitos que os inspiram
e não pelas suas consequências.
Na
literatura também encontramos que estes padrões de comportamentos não acontecem
de forma predominante, mas que pode haver maior ou menor semelhança a alguns
destes padrões.
Depois do
exposto, vale um alerta! Os gestores e protagonistas da educação informal, dada
pela família, parentes, amigos e outros, e formal, aquela oferecida pela escola
e instituições educativas, precisam repensar o modo de intervir e ensinar para construir
traços de comportamentos que vão ao encontro dos ideais democráticos, possibilitando
a construção de uma sociedade onde a Saúde, Educação, Segurança, Transporte...
não deixem a desejar.
domingo, 9 de junho de 2013
Maioridade penal... o problema é meu!?!
Tem-se
conhecimento da evolução do conceito de criança ao longo dos tempos. Estudiosos
apontam diferentes momentos históricos em que a sociedade conceituou a criança.
Ora vista como um adulto em miniatura, ora vista como uma “tábula rasa” ou uma
“folha de papel em branco”, totalmente sem conhecimento. Estudos científicos e
filosóficos mais recentes vem alimentando a ideia de criança como portadora de
direitos. Essas teorias evidenciam a necessidade da estimulação do desenvolvimento
na criança desde o nascimento.
Considerada
como pessoa em desenvolvimento a criança, como todos os seres humanos, é capaz
de aprender e a adquirir conhecimentos que necessitam para sobreviver e
conviver em sociedade. Assim
a criança passa
a ser vista como sujeito social, ativa, participante na construção do saber,
porém vulnerável às mazelas do mundo: pedofilia, violência física e moral,
abandono, alienação parental, entre outros.
Entrar nessa
discussão filosófica é um labirinto para poucos, vale a pena refletir sobre o
papel das mulheres e sua atuação na sociedade atual: geram, criam seus filhos,
muitas vezes sozinhas, ou em boa parte do próprio desenvolvimento da criança,
elas estão sozinhas. Pior ainda, quando seu filho ou filha é vítima de um menor
de idade e que esse indivíduo foi criado junto com seus filhos... Que passa nas
cabeças das mães que com o tempo vê seus filhos desviarem do caminho do bem, em
busca de dinheiro fácil, sendo refém do mercado de produtos ilícitos?
Ser contra
ou a favor da maioridade penal não deve ser pensado e amparado pelos ânimos e
revoltas de muitos homens – interessante... vejo homens, na mídia, a defenderem
essa ideia – e sim na reflexão do processo que levou uma pessoa em
desenvolvimento, adquirir hábitos e comportamentos violentos, egoístas,
desumanos, nesse caso, no sentido perfeito da palavra: sem humanidade.
O que aconteceu com a educação das crianças?
Quem são os responsáveis ou os corresponsáveis? Serão os vizinhos omissos? Serão
os educadores e tutores, para quem a educação também foi negligenciada? Quem
não teme pelo futuro de uma criança? Será que não é essa última questão a ser
resolvida?
Temer pelo
futuro de qualquer criança é uma obrigação de qualquer adulto. Se preocupassem
mais com as crianças, com sua educação para os valores sociais, para a vida
cidadã, para enfrentar as injustiças sociais com os recursos da própria
inteligência, sabendo aproveitar as oportunidades, a maioridade penal não
estaria tendo tanta repercussão na mídia.
Talvez
alguma pena mais severa deva ser aplicada à própria sociedade que não cumpre
suas obrigações para com as crianças. As penas devem ser aplicadas
principalmente aos adultos do entorno que na omissão, na covardia, nos
interesses obscuros aproveitam a fraqueza das crianças, sua ignorância e sua
vulnerabilidade, acomodando-se numa ideia não muito inteligente de que “o
problema não é meu!” Hoje não... e amanhã???
Eugênia Braga - colunista da revista Trânsito Aberto.
sexta-feira, 10 de maio de 2013
Mobilização pela Educação
Vale a pena acessar e ver Jacareí participando desta mobilização.
http://mse.mec.gov.br/
http://mse.mec.gov.br/
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Medo de polícia, pelo menos no primeiro momento.
Se observássemos melhor as
reações das crianças diante da presença de um policial, ficaríamos
impressionados com elas. Poderia percebê-las ansiosas, querendo proteção,
demonstrado por comportamento de aproximar-se mais do adulto que a acompanha,
alteração na voz e nos gestos, algumas tentam até se esconder. Parece medo, mas
medo de quê? Quem cultivou, quem ensinou esse medo? Mereceria uma tese, o que
não é intenção deste artigo. Mas vale refletir sobre isso.
Esse medo é inexplicável, pelo
menos num primeiro momento. O poder da polícia sobre a população, sua abordagem,
os policiais corruptos, ações violentas, entre outros, cujas imagens são exploradas
pelas mídias, mais fluentemente pelas redes de televisão criando, nos
telespectadores, fantasias sobre a polícia, fomentando um medo inexplicável:
medo de quem nos protege, ou que pelo menos deveria nos proteger.
Os adultos também tem medo de
polícia, tem medo do constrangimento que poderia sofrer ao ser abordado, tem
medo que seus filhos sejam abordados. Mas medo por quê? Não deveria ser o
contrário? O transgressor, o bandido, o meliante é quem deveria ter medo de
polícia.
Numa grande rede de TV, num
programa que mostra as ações dos policiais, de forma real, podemos perceber
claramente que os bandidos não tem medo de policia, pelo menos não tem o mesmo medo
que acomete o cidadão de bem.
No referido programa quando o
policial aborda o bandido, a gente sente até pena, pois os bandidos usam
palavras respeitosas, de subordinação e chamam os soldados de chefia, doutor...,
tentando ter uma conversa amigável com os policiais, confundindo nós
telespectadores, que muitas vezes nos sensibilizamos com eles, chegamos a
pensar que a polícia está equivocada. Porém no decorrer da ação, os véus caem e
numa boa abordagem policial descobrimos criminosos perigosos, e nos sentimos
frágeis e ingênuos diante dessas situações.
Então, medo de polícia é ensinado
pela própria sociedade e incutido por meio de diferentes mecanismos, dentre eles
os mais evidentes são os meios midiáticos, que fortalecem paradigmas, tais
como: polícia violenta, desumana, corrupta entre outros.
É imperativo que a sociedade
fique atenta e busque formas de aumentar a confiabilidade dos cidadãos de bem,
na polícia, promovendo programas educativos que fortaleçam os valores que
permeiam a não-violência, numa visão da polícia pacificadora e preventiva. O
poder público precisa investir na criação de uma polícia humanizada, dinâmica e
companheira do bem.
Eugênia Braga (artigo - Revista Trânsito Aberto, nº 6/2013)
Educação para o Trânsito ou Educação no Trânsito? Eis a questão!
Não! Não irei falar de um problema
gramatical, mas o usarei para escrever o que percebo nesta nossa vida de pedestres
e de motoristas.
Quando falamos em educação para o
trânsito, logo vem a ideia de um monte de normas, sinais, condutas que devemos
adquirir para garantir a nossa segurança e a de outrem. Isso por quê? Porque inventaram uma maneira
de se locomover de forma mais rápida e menos cansativa para chegar a algum
lugar.
Quando falamos em educação no trânsito,
a ideia emergente está relacionada a sermos cortês, amáveis, atenciosos e
outros adjetivos de uma pessoa educada, no sentido comum da palavra.
Há neste pequeno detalhe gramatical –
“para o” e “no” – uma ameaça de morte ou de acidente grave. Por exemplo: a
pessoa educada no trânsito pode
provocar acidente, quando em via de sentido duplo, percebendo que tem alguém para
atravessar, freia o carro – ou por ser uma faixa de segurança, a qual o obriga
a parar (educação para o trânsito) ou por vontade de ser solidário (educação no
trânsito). Tratando-se de faixa, o risco
do pedestre ser atropelado é menor. Não nula, pois a educação para o trânsito
ainda é precária. Na segunda hipótese, outros veículos que vem do sentido
contrário impedirão a pessoa de completar sua travessia, havendo ainda a grande
possibilidade do pedestre não perceber que a pista é dupla e sofrer um grave
acidente. Outro exemplo, muito comum, é de dois motoristas, num cruzamento e em
sentidos opostos, intencionam entrar na mesma via e ficam em dúvida sobre a
preferência. Até decidir de quem é a preferência – na pressa esquece-se da boa
educação e da educação para o trânsito –, e por coincidência ou por imprudência,
ambos arrancam e a conclusão: colisão! Há
ainda casos em que o motorista é o perfeito cavalheiro da “moda antiga”: é
mulher? Tem preferência! Daí a coisa complica mesmo! Muitas vezes não temos a mesma
forma de pensar que o outro e se a mulher sentir-se subjulgada, não irá a lugar
nenhum e o cavalheirismo do cidadão vai virar má educação, dando sequência a
uma infinidade de palavrões preconceituosos.
É necessário que tenhamos claro que
educação – boas maneiras – é importantíssima, mas não pode ser confundida com a
educação para o trânsito. Este pensar educativo para o trânsito requer muito
mais do que boas maneiras, é mais que um simples conhecimento espacial para os
transeuntes e motoristas. Educação para o Trânsito é uma forma de organizar a
vida coletiva, garantindo a segurança de todos os cidadãos. Acidentes acontecem
e, segundo as estatísticas, matam mais que numa guerra e a gente só percebe a
gravidade do assunto, quando acontece conosco ou com alguém próximo a nós.
É imperioso que as escolas tratam
deste assunto, incluindo em seus currículos programas sobre educação para o
trânsito, sistematizando o ensino e favorecendo a aprendizagem. Muitas
iniciativas estão acontecendo com relação ao ensino nas escolas, algumas
privadas e outras do poder público. A Secretaria de Trânsito de Jacareí e a
Secretaria de Educação são parceiras e desenvolvem projetos nesta área. É
preciso ensinar os pequenos, orientar os adultos e criar um meio de garantir a
paz no trânsito e o direito à vida.
Eugênia Braga (artigo - Revista Trânsito Aberto)
Eugênia Braga (artigo - Revista Trânsito Aberto)
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Escola: é importante planejar a inclusão de alunos com deficiência.
Quem irá colocar o sino no gato?
Quando se fala em inclusão é o mesmo que falar
que todos os alunos tem o mesmo direito ao atendimento escolar. A inclusão
escolar está acontecendo com muitos desafios a serem vencidos e a atenção, de
modo geral, concentra-se nos projetos educativos, reformas e adequações prediais
para favorecer a acessibilidade.
É evidente que a maioria das escolas
ainda não encontrou uma forma que efetive a inclusão. Dentre as causas
apontadas, por estudiosos no assunto, ressalta a falta de orientação e formação
dos professores com relação ao atendimento às diferentes deficiências. Para o
sucesso da inclusão é necessário que o professor se sinta seguro e esteja apto
a intervir de forma adequada, em cada situação.
Outro entrave, que permeia o
âmbito escolar, é a falta de discussão aberta e ampla sobre a inclusão com a
comunidade escolar, onde a idéia da segregação dos alunos em classes especiais,
ainda é muito forte. E isto acontece muitas vezes porque falta um plano de
ações eficiente para incluir determinado aluno na escola. Além do mais, muitos
professores, por sentirem-se despreparados para ensinar, acabam por aderir às ideias
da segregação do passado, enfraquecendo as ações inclusivas que costumam partir
de instâncias administrativas superiores.
As ideias de inclusão e as
ações devem ser previstas no planejamento, elaborado pela própria comunidade
escolar, muito conhecida pelos professores de PPP – Projeto político-pedagógico
–, onde é explicitada a dinâmica de atendimento aos alunos deficientes e
tratada a inclusão de forma globalizante, respeitando as diferenças.
Um plano de atendimento ao
aluno com deficiência tem que ser claro, bem definido, e contemplar inclusive
qual a forma de capacitação, orientação e apoio ao professor. Deve ser construído
pela própria escola, porque acredita-se que a comunidade escolar conhece melhor
suas necessidades e tem condições de apresentar propostas eficazes. Então, na hora do planejamento, o mais importante
que o uso de terminologias pomposas é garantir a transformação de boas ideias e
das palavras bonitas e rebuscadas em ações exeguíveis.
Na hora do planejamento para
prever ações proativas a favor da inclusão, a parábola a seguir nos remete a
uma boa reflexão. “Os ratos fizeram uma
convenção e tiveram uma ótima ideia de colocar um sino no gato, para que todos
percebessem a presença do felino e então se safar de um destino cruel. Todos
aprovaram a proposta, porém um ratinho perguntou: -- quem irá colocar o sino no
gato?” – Não precisamos fazer
esforço para saber no que deu a brilhante idéia.
É importante a participação
na elaboração do PPP, dos professores, alunos e seus pais ou responsável e de todos
que estejam diretamente ou indiretamente envolvidos nas ações escolares,
transformando o planejamento num processo de reflexão-ação-reflexão, onde as
ações são executáveis.
Eugênia Braga - Pedagoga, especialista em Gestão, Orientação e Supervisão Escolar.
Eugênia Braga - Pedagoga, especialista em Gestão, Orientação e Supervisão Escolar.
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