Diante das
manifestações que sacudiram centenas de cidades do país, cujos gritos vindos de
diferentes segmentos sociais e, principalmente, por serem os jovens os
protagonistas dos movimentos, deixaram perplexos e confusos as lideranças de
todo o Brasil. O que os jovens queriam com tanto fervor? Muitas vozes surgiam dentro
dos movimentos, reivindicando melhoria para o Brasil: na Educação, Saúde,
Transporte, Segurança e por aí vai um rosário de reivindicações.
Alguns
jornalistas e cientistas sociais analisaram e analisam a situação pelo prisma da
geração passada – a família desses jovens. Seus pais viveram em épocas de
importantes mobilizações: nos anos 80, com as “Diretas Já” que lutavam pela
instauração da democracia no país e, nos anos 90, os jovens de “caras-pintadas”
realizaram o movimento que tinha como objetivo principal o impeachment do Presidente Fernando Collor de Melo e sua retirada do posto. E é nesta visão de democracia que o
foco vira para a Educação.
Estudos
realizados na área de desenvolvimento psicológico e educação anunciam que a
família, por ser dentro dela que se realizam as experiências básicas e entre
elas a aprendizagem de sistema de valores, da linguagem, do controle de
impulsividade, etc., tem função importante na formação da pessoa. Foram
identificados padrões de comportamento dos pais e os efeitos sobre o
desenvolvimento social e da personalidade de seus filhos e classificados em três
categorias.
A primeira
refere-se aos pais autoritários que exercem sobre a criança altos níveis de
controle, de exigências de amadurecimento, porém apresentam baixos níveis de
comunicação e demonstração de afeto. Neste caso os filhos demonstram
obediência, são ordeiros e pouco agressivos, contudo são pouco persistentes ao
perseguir metas e apresentam-se tímidos, baixa autoestima e dependência (são
inseguros e sentem-se incapazes de realizarem as atividades por si só). São pouco
alegres, receoso, mais coléricos, infelizes e irritáveis, sendo vulneráveis às
tensões, devido à falta de comunicação desses pais.
A
segunda categoria trata sobre pais permissivos. Eles exercem sobre os filhos pouco
controle e exigências de amadurecimento, mas muita comunicação e afeto. Consultam
os filhos diante de tomada de decisões que envolvem a família. Esta categoria
não exige dos filhos responsabilidades e ordem. Os filhos tem dificuldade em
assumir responsabilidade e também tem problemas no controle de impulsos. Em
geral são imaturos, têm baixa autoestima, por outro lado são mais alegres em
comparação com os filhos dos pais autoritários.
Enfim, a última
categoria diz respeito aos pais democráticos, que educam seus filhos com níveis
altos de comunicação e de afeto, como também é alto os níveis de controle e exigência
de amadurecimento. Esses pais evitam os castigos e costumam reforçar com
frequência o comportamento dos filhos com afeto e também atendem às solicitações
de atenção da criança. Seus filhos tendem a ter altos níveis de autocontrole e
autoestima e maior capacidade para enfrentar situações novas e persistência nas
tarefas que iniciam. Tornam-se interativos, independentes e carinhosos e apresentam
valores morais interiorizados, julgam os atos pelos propósitos que os inspiram
e não pelas suas consequências.
Na
literatura também encontramos que estes padrões de comportamentos não acontecem
de forma predominante, mas que pode haver maior ou menor semelhança a alguns
destes padrões.
Depois do
exposto, vale um alerta! Os gestores e protagonistas da educação informal, dada
pela família, parentes, amigos e outros, e formal, aquela oferecida pela escola
e instituições educativas, precisam repensar o modo de intervir e ensinar para construir
traços de comportamentos que vão ao encontro dos ideais democráticos, possibilitando
a construção de uma sociedade onde a Saúde, Educação, Segurança, Transporte...
não deixem a desejar.
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