Tem-se
conhecimento da evolução do conceito de criança ao longo dos tempos. Estudiosos
apontam diferentes momentos históricos em que a sociedade conceituou a criança.
Ora vista como um adulto em miniatura, ora vista como uma “tábula rasa” ou uma
“folha de papel em branco”, totalmente sem conhecimento. Estudos científicos e
filosóficos mais recentes vem alimentando a ideia de criança como portadora de
direitos. Essas teorias evidenciam a necessidade da estimulação do desenvolvimento
na criança desde o nascimento.
Considerada
como pessoa em desenvolvimento a criança, como todos os seres humanos, é capaz
de aprender e a adquirir conhecimentos que necessitam para sobreviver e
conviver em sociedade. Assim
a criança passa
a ser vista como sujeito social, ativa, participante na construção do saber,
porém vulnerável às mazelas do mundo: pedofilia, violência física e moral,
abandono, alienação parental, entre outros.
Entrar nessa
discussão filosófica é um labirinto para poucos, vale a pena refletir sobre o
papel das mulheres e sua atuação na sociedade atual: geram, criam seus filhos,
muitas vezes sozinhas, ou em boa parte do próprio desenvolvimento da criança,
elas estão sozinhas. Pior ainda, quando seu filho ou filha é vítima de um menor
de idade e que esse indivíduo foi criado junto com seus filhos... Que passa nas
cabeças das mães que com o tempo vê seus filhos desviarem do caminho do bem, em
busca de dinheiro fácil, sendo refém do mercado de produtos ilícitos?
Ser contra
ou a favor da maioridade penal não deve ser pensado e amparado pelos ânimos e
revoltas de muitos homens – interessante... vejo homens, na mídia, a defenderem
essa ideia – e sim na reflexão do processo que levou uma pessoa em
desenvolvimento, adquirir hábitos e comportamentos violentos, egoístas,
desumanos, nesse caso, no sentido perfeito da palavra: sem humanidade.
O que aconteceu com a educação das crianças?
Quem são os responsáveis ou os corresponsáveis? Serão os vizinhos omissos? Serão
os educadores e tutores, para quem a educação também foi negligenciada? Quem
não teme pelo futuro de uma criança? Será que não é essa última questão a ser
resolvida?
Temer pelo
futuro de qualquer criança é uma obrigação de qualquer adulto. Se preocupassem
mais com as crianças, com sua educação para os valores sociais, para a vida
cidadã, para enfrentar as injustiças sociais com os recursos da própria
inteligência, sabendo aproveitar as oportunidades, a maioridade penal não
estaria tendo tanta repercussão na mídia.
Talvez
alguma pena mais severa deva ser aplicada à própria sociedade que não cumpre
suas obrigações para com as crianças. As penas devem ser aplicadas
principalmente aos adultos do entorno que na omissão, na covardia, nos
interesses obscuros aproveitam a fraqueza das crianças, sua ignorância e sua
vulnerabilidade, acomodando-se numa ideia não muito inteligente de que “o
problema não é meu!” Hoje não... e amanhã???
Eugênia Braga - colunista da revista Trânsito Aberto.
Excelente artigo professora. A questão da redução da maioridade penal é clausula pétrea. Agora se a sociedade quer mudar a constituição, uma sugestão seria a educação e a pena de morte para quem usar da corrupção e matar a tantos. Hannah Arendt vai falar do que é público e privado em seu livro:"A condição Humana" e Zygmunt Bauman vai falar do sistema carcerário falido. O que fico indignado é: a ignorância do ser humano e a omissão.
ResponderExcluirAlexandre Marciano da Silva - mestre em Ciências aplicada Aplicada/ Direitos Humanos - Adolescente em Conflito com a Lei.
Concordo com você com relação a Educação, ela precisa ser melhor pensada e ir além do conceito acadêmico. Uma educação epistemológica, uma educação preventiva e atual; como alerta aquela antiga frase... "educai os jovens para não ter que punir os adultos no futuro". Obrigada pela possibilidade de reflexões... mestre e amigo, é bom tê-lo aqui. Abraço.
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