segunda-feira, 19 de maio de 2014

Artigo para Revista Trânsito - nº 17 - Abril/2014


Pelo amor ou pela dor a gente ensina, mas podemos escolher?

            Estamos terminando um mês de muita relevância bíblica: a Semana Santa. Ela começa no Domingo de Ramos e termina no Domingo de Páscoa. É uma tradição religiosa que celebra a Paixão, a Morte e a Ressurreição de Jesus Cristo, que pode despertar em alguns a alegria, libertação e renascimento e em outros o sofrimento, agonia e revolta.
            Nesta época, cheia de símbolos, as pessoas vão se envolvendo em jejuns, mortificações, orações e também consumindo peixes e chocolates e outras delícias que viraram signos pascais. As formas de comportamentos, neste caso, servem para animar a fé, apesar de criar nicho de mercado, por favorecer a venda e consumo de produtos alimentícios. Assim pela dor e pelo amor as pessoas se sentem mais próximas a Deus e consideram-se merecedoras do Céu, por ter se tornado uma boa pessoa.
            No cenário da escola, há algum tempo, pais e professores acreditavam piamente que para educar deveria aplicar a dor. Nas escolas os alunos sofriam castigos físicos e psicológicos. O uso da “palmatória” - objeto de madeira com forma de um círculo e uma haste, lembrando uma escumadeira - e colocar, no aluno, orelhas de burro, incentivando as chacotas dos colegas, eram práticas muito comuns e consideradas como métodos eficientes para a obtenção da disciplina, a ordem e o progresso dos alunos.
Caio Feijó, psicólogo, educador, palestrante e autor de livros entre eles “Preparando Alunos para a Vida” e “Pais Competentes = Filhos Brilhantes”, leva a entender que na educação tradicional é frequente o uso de técnicas coercitivas, aquelas que se obtém o comportamento adequado por meio de ameaças ou punições.
O autor aponta outra forma mais adequada, trata-se da técnica de reforçamento.  Nesta técnica os educadores, que podem ser os pais ou professores, voltam sua atenção para os comportamentos desejados e recompensam, com afetividade, quando estão diante deles. O reforçamento tem a vantagem sobre a técnica da coerção, porque ele não cria subprodutos como a violência, agressão, depressão, entre outros.
Assim, uma mãe, diante de um comportamento de birra de uma criança, poderia julgar que as palmadas seriam mais propícias, porém uma ação consciente, de ignorar a birra, sem ignorar a própria criança, seria mais eficiente. Parece uma forma simples, mas muito inteligente de educar, porque requer mais conhecimentos desta mãe sobre a educação que se quer dar.
Atualmente o constrangimento, assédio ou bullying e o castigo físico são proibidos por leis específicas e estudo tem demonstrado que alunos reforçados por notas justas, respeito dos professores e admiração de seus colegas, mantém a assiduidade na escola, ao passo que alunos punidos por notas baixas, desaprovação e humilhação tem sua assiduidade comprometida, muitas vezes justificando a evasão escolar, que é um ponto nevrálgico de qualquer sistema de ensino.
Podemos escolher uma ou outra forma, escolheremos pelo amor! Se reforçar bons comportamentos, afetivamente, torna as pessoas melhores; então, vamos reforçar por meio de uma prática, amorosa, coerente, transparente, humana e sincera.

Eugênia Braga - professora e jornalista da Revista Trânsito 
Jacareí - região do Vale do Paraíba Paulista/SP