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quinta-feira, 29 de maio de 2014
segunda-feira, 19 de maio de 2014
Artigo para Revista Trânsito - nº 17 - Abril/2014

Pelo amor ou
pela dor a gente ensina, mas podemos escolher?
Estamos terminando um mês de muita
relevância bíblica: a Semana Santa. Ela começa no Domingo de Ramos e termina no
Domingo de Páscoa. É uma tradição religiosa que celebra a Paixão, a Morte e a Ressurreição
de Jesus Cristo, que pode despertar em alguns a alegria, libertação e
renascimento e em outros o sofrimento, agonia e revolta.
Nesta época, cheia de símbolos, as
pessoas vão se envolvendo em jejuns, mortificações, orações e também consumindo
peixes e chocolates e outras delícias que viraram signos pascais. As formas de comportamentos,
neste caso, servem para animar a fé, apesar de criar nicho de mercado, por
favorecer a venda e consumo de produtos alimentícios. Assim pela dor e pelo
amor as pessoas se sentem mais próximas a Deus e consideram-se merecedoras do
Céu, por ter se tornado uma boa pessoa.
No cenário da escola, há algum
tempo, pais e professores acreditavam piamente que para educar deveria aplicar
a dor. Nas escolas os alunos sofriam castigos físicos e psicológicos. O uso da “palmatória”
- objeto de madeira com forma de um círculo e uma haste, lembrando uma
escumadeira - e colocar, no aluno, orelhas de burro, incentivando as chacotas
dos colegas, eram práticas muito comuns e consideradas como métodos eficientes
para a obtenção da disciplina, a ordem e o progresso dos alunos.
Caio
Feijó, psicólogo, educador, palestrante e autor de livros entre eles “Preparando
Alunos para a Vida” e “Pais Competentes = Filhos Brilhantes”, leva a entender
que na educação tradicional é frequente o uso de técnicas coercitivas, aquelas
que se obtém o comportamento adequado por meio de ameaças ou punições.
O
autor aponta outra forma mais adequada, trata-se da técnica de reforçamento. Nesta técnica os educadores, que podem ser os
pais ou professores, voltam sua atenção para os comportamentos desejados e
recompensam, com afetividade, quando estão diante deles. O reforçamento tem a
vantagem sobre a técnica da coerção, porque ele não cria subprodutos como a
violência, agressão, depressão, entre outros.
Assim,
uma mãe, diante de um comportamento de birra de uma criança, poderia julgar que
as palmadas seriam mais propícias, porém uma ação consciente, de ignorar a
birra, sem ignorar a própria criança, seria mais eficiente. Parece uma forma
simples, mas muito inteligente de educar, porque requer mais conhecimentos desta
mãe sobre a educação que se quer dar.
Atualmente
o constrangimento, assédio ou bullying e o castigo físico são proibidos por
leis específicas e estudo tem demonstrado que alunos reforçados por notas
justas, respeito dos professores e admiração de seus colegas, mantém a
assiduidade na escola, ao passo que alunos punidos por notas baixas,
desaprovação e humilhação tem sua assiduidade comprometida, muitas vezes
justificando a evasão escolar, que é um ponto nevrálgico de qualquer sistema de
ensino.
Podemos
escolher uma ou outra forma, escolheremos pelo amor! Se reforçar bons
comportamentos, afetivamente, torna as pessoas melhores; então, vamos reforçar
por meio de uma prática, amorosa, coerente, transparente, humana e sincera.
Eugênia Braga - professora e jornalista da Revista Trânsito
Jacareí - região do Vale do Paraíba Paulista/SP
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