Hoje quero falar sobre Educação.
Educação para quê?
Lembro-me que fui falar sobre o
PME – Plano Municipal de Educação - numa emissora de rádio local e o
entrevistador perguntou-me qual era a importância do plano. Dissertei sobre a
importância do planejamento para atingir metas e que Jacareí teria muito a
ganhar com um bom planejamento, que abordasse todos os níveis de ensino. Não
satisfeito com minha resposta voltou a perguntar o que o povo ganharia com este
plano. Respondi, com muito entusiasmo, que o plano era uma forma de administração
democrática e havia sido construído com a participação de todos os professores
da rede, constando em ata todas as participações e isto em si já era um grande
ganho para sociedade. Porém percebi a insatisfação do meu interlocutor e não
fiquei surpresa quando me perguntou: o que o povo ganha de fato? Fiquei decepcionada com a pergunta, porque demonstrou
que o “ganho” não estava sendo percebido por ele e, com certeza pela maioria
dos ouvintes. Talvez pelo resquício de gestões autoritárias e pela própria
cultura mercadológica, não conseguia perceber o “ganho”.
Acredito que a gestão autoritária
condiciona os indivíduos a uma situação de dependência e de recebedores de
favores e cuidados. Nesta perspectiva os indivíduos abdicam seu direito de
pertencimento e de poder “fazer junto”, de cidadão, para ser um fiscalizador,
cobrador de favores e serviços e de merecedores de cuidados. Realmente, a
Educação não produz um produto visível, não é uma coisa, algo concreto, que se
cheira, pega... mas sem ela é impossível viver de forma humanizada, pois é isto
que a Educação faz: ela nos humaniza, nos torna gente, nos possibilita vencer
desafios, a viver melhor, porque educação está em todo o lugar e em todos os
setores. Daí? Qual é o “ganho”? Educar para que os indivíduos se emancipem,
tornando autores e atores de fato e possam participar da construção de seus
espaços e colaborar para o bem comum.
Maria Eugênia G. Braga – Pedagoga
e Especialista em
Gestão Escolar.