sexta-feira, 28 de junho de 2013

Educar para a Democracia é o melhor caminho.

Diante das manifestações que sacudiram centenas de cidades do país, cujos gritos vindos de diferentes segmentos sociais e, principalmente, por serem os jovens os protagonistas dos movimentos, deixaram perplexos e confusos as lideranças de todo o Brasil. O que os jovens queriam com tanto fervor? Muitas vozes surgiam dentro dos movimentos, reivindicando melhoria para o Brasil: na Educação, Saúde, Transporte, Segurança e por aí vai um rosário de reivindicações.
Alguns jornalistas e cientistas sociais analisaram e analisam a situação pelo prisma da geração passada – a família desses jovens. Seus pais viveram em épocas de importantes mobilizações: nos anos 80, com as “Diretas Já” que lutavam pela instauração da democracia no país e, nos anos 90, os jovens de “caras-pintadas” realizaram o movimento que tinha como objetivo principal o impeachment do Presidente Fernando Collor de Melo e sua retirada do posto. E é nesta visão de democracia que o foco vira para a Educação.
Estudos realizados na área de desenvolvimento psicológico e educação anunciam que a família, por ser dentro dela que se realizam as experiências básicas e entre elas a aprendizagem de sistema de valores, da linguagem, do controle de impulsividade, etc., tem função importante na formação da pessoa. Foram identificados padrões de comportamento dos pais e os efeitos sobre o desenvolvimento social e da personalidade de seus filhos e classificados em três categorias.
A primeira refere-se aos pais autoritários que exercem sobre a criança altos níveis de controle, de exigências de amadurecimento, porém apresentam baixos níveis de comunicação e demonstração de afeto. Neste caso os filhos demonstram obediência, são ordeiros e pouco agressivos, contudo são pouco persistentes ao perseguir metas e apresentam-se tímidos, baixa autoestima e dependência (são inseguros e sentem-se incapazes de realizarem as atividades por si só). São pouco alegres, receoso, mais coléricos, infelizes e irritáveis, sendo vulneráveis às tensões, devido à falta de comunicação desses pais.
            A segunda categoria trata sobre pais permissivos. Eles exercem sobre os filhos pouco controle e exigências de amadurecimento, mas muita comunicação e afeto. Consultam os filhos diante de tomada de decisões que envolvem a família. Esta categoria não exige dos filhos responsabilidades e ordem. Os filhos tem dificuldade em assumir responsabilidade e também tem problemas no controle de impulsos. Em geral são imaturos, têm baixa autoestima, por outro lado são mais alegres em comparação com os filhos dos pais autoritários.
Enfim, a última categoria diz respeito aos pais democráticos, que educam seus filhos com níveis altos de comunicação e de afeto, como também é alto os níveis de controle e exigência de amadurecimento. Esses pais evitam os castigos e costumam reforçar com frequência o comportamento dos filhos com afeto e também atendem às solicitações de atenção da criança. Seus filhos tendem a ter altos níveis de autocontrole e autoestima e maior capacidade para enfrentar situações novas e persistência nas tarefas que iniciam. Tornam-se interativos, independentes e carinhosos e apresentam valores morais interiorizados, julgam os atos pelos propósitos que os inspiram e não pelas suas consequências.
Na literatura também encontramos que estes padrões de comportamentos não acontecem de forma predominante, mas que pode haver maior ou menor semelhança a alguns destes padrões.
Depois do exposto, vale um alerta! Os gestores e protagonistas da educação informal, dada pela família, parentes, amigos e outros, e formal, aquela oferecida pela escola e instituições educativas, precisam repensar o modo de intervir e ensinar para construir traços de comportamentos que vão ao encontro dos ideais democráticos, possibilitando a construção de uma sociedade onde a Saúde, Educação, Segurança, Transporte... não deixem a desejar.


domingo, 9 de junho de 2013

Maioridade penal... o problema é meu!?!

Tem-se conhecimento da evolução do conceito de criança ao longo dos tempos. Estudiosos apontam diferentes momentos históricos em que a sociedade conceituou a criança. Ora vista como um adulto em miniatura, ora vista como uma “tábula rasa” ou uma “folha de papel em branco”, totalmente sem conhecimento. Estudos científicos e filosóficos mais recentes vem alimentando a ideia de criança como portadora de direitos. Essas teorias evidenciam a necessidade da estimulação do desenvolvimento na criança desde o nascimento.

Considerada como pessoa em desenvolvimento a criança, como todos os seres humanos, é capaz de aprender e a adquirir conhecimentos que necessitam para sobreviver e conviver em sociedade. Assim a criança passa a ser vista como sujeito social, ativa, participante na construção do saber, porém vulnerável às mazelas do mundo: pedofilia, violência física e moral, abandono, alienação parental, entre outros.

Entrar nessa discussão filosófica é um labirinto para poucos, vale a pena refletir sobre o papel das mulheres e sua atuação na sociedade atual: geram, criam seus filhos, muitas vezes sozinhas, ou em boa parte do próprio desenvolvimento da criança, elas estão sozinhas. Pior ainda, quando seu filho ou filha é vítima de um menor de idade e que esse indivíduo foi criado junto com seus filhos... Que passa nas cabeças das mães que com o tempo vê seus filhos desviarem do caminho do bem, em busca de dinheiro fácil, sendo refém do mercado de produtos ilícitos?

Ser contra ou a favor da maioridade penal não deve ser pensado e amparado pelos ânimos e revoltas de muitos homens – interessante... vejo homens, na mídia, a defenderem essa ideia – e sim na reflexão do processo que levou uma pessoa em desenvolvimento, adquirir hábitos e comportamentos violentos, egoístas, desumanos, nesse caso, no sentido perfeito da palavra: sem humanidade.

 O que aconteceu com a educação das crianças? Quem são os responsáveis ou os corresponsáveis? Serão os vizinhos omissos? Serão os educadores e tutores, para quem a educação também foi negligenciada? Quem não teme pelo futuro de uma criança? Será que não é essa última questão a ser resolvida?

Temer pelo futuro de qualquer criança é uma obrigação de qualquer adulto. Se preocupassem mais com as crianças, com sua educação para os valores sociais, para a vida cidadã, para enfrentar as injustiças sociais com os recursos da própria inteligência, sabendo aproveitar as oportunidades, a maioridade penal não estaria tendo tanta repercussão na mídia.

Talvez alguma pena mais severa deva ser aplicada à própria sociedade que não cumpre suas obrigações para com as crianças. As penas devem ser aplicadas principalmente aos adultos do entorno que na omissão, na covardia, nos interesses obscuros aproveitam a fraqueza das crianças, sua ignorância e sua vulnerabilidade, acomodando-se numa ideia não muito inteligente de que “o problema não é meu!” Hoje não... e amanhã???

 Eugênia Braga - colunista da revista Trânsito Aberto.