quinta-feira, 2 de maio de 2013

Medo de polícia, pelo menos no primeiro momento.


Se observássemos melhor as reações das crianças diante da presença de um policial, ficaríamos impressionados com elas. Poderia percebê-las ansiosas, querendo proteção, demonstrado por comportamento de aproximar-se mais do adulto que a acompanha, alteração na voz e nos gestos, algumas tentam até se esconder. Parece medo, mas medo de quê? Quem cultivou, quem ensinou esse medo? Mereceria uma tese, o que não é intenção deste artigo. Mas vale refletir sobre isso.
Esse medo é inexplicável, pelo menos num primeiro momento. O poder da polícia sobre a população, sua abordagem, os policiais corruptos, ações violentas, entre outros, cujas imagens são exploradas pelas mídias, mais fluentemente pelas redes de televisão criando, nos telespectadores, fantasias sobre a polícia, fomentando um medo inexplicável: medo de quem nos protege, ou que pelo menos deveria nos proteger.
Os adultos também tem medo de polícia, tem medo do constrangimento que poderia sofrer ao ser abordado, tem medo que seus filhos sejam abordados. Mas medo por quê? Não deveria ser o contrário? O transgressor, o bandido, o meliante é quem deveria ter medo de polícia.
Numa grande rede de TV, num programa que mostra as ações dos policiais, de forma real, podemos perceber claramente que os bandidos não tem medo de policia, pelo menos não tem o mesmo medo que acomete o cidadão de bem.
No referido programa quando o policial aborda o bandido, a gente sente até pena, pois os bandidos usam palavras respeitosas, de subordinação e chamam os soldados de chefia, doutor..., tentando ter uma conversa amigável com os policiais, confundindo nós telespectadores, que muitas vezes nos sensibilizamos com eles, chegamos a pensar que a polícia está equivocada. Porém no decorrer da ação, os véus caem e numa boa abordagem policial descobrimos criminosos perigosos, e nos sentimos frágeis e ingênuos diante dessas situações.
Então, medo de polícia é ensinado pela própria sociedade e incutido por meio de diferentes mecanismos, dentre eles os mais evidentes são os meios midiáticos, que fortalecem paradigmas, tais como: polícia violenta, desumana, corrupta entre outros.
É imperativo que a sociedade fique atenta e busque formas de aumentar a confiabilidade dos cidadãos de bem, na polícia, promovendo programas educativos que fortaleçam os valores que permeiam a não-violência, numa visão da polícia pacificadora e preventiva. O poder público precisa investir na criação de uma polícia humanizada, dinâmica e companheira do bem.
Eugênia Braga (artigo - Revista Trânsito Aberto, nº 6/2013)

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