Se observássemos melhor as
reações das crianças diante da presença de um policial, ficaríamos
impressionados com elas. Poderia percebê-las ansiosas, querendo proteção,
demonstrado por comportamento de aproximar-se mais do adulto que a acompanha,
alteração na voz e nos gestos, algumas tentam até se esconder. Parece medo, mas
medo de quê? Quem cultivou, quem ensinou esse medo? Mereceria uma tese, o que
não é intenção deste artigo. Mas vale refletir sobre isso.
Esse medo é inexplicável, pelo
menos num primeiro momento. O poder da polícia sobre a população, sua abordagem,
os policiais corruptos, ações violentas, entre outros, cujas imagens são exploradas
pelas mídias, mais fluentemente pelas redes de televisão criando, nos
telespectadores, fantasias sobre a polícia, fomentando um medo inexplicável:
medo de quem nos protege, ou que pelo menos deveria nos proteger.
Os adultos também tem medo de
polícia, tem medo do constrangimento que poderia sofrer ao ser abordado, tem
medo que seus filhos sejam abordados. Mas medo por quê? Não deveria ser o
contrário? O transgressor, o bandido, o meliante é quem deveria ter medo de
polícia.
Numa grande rede de TV, num
programa que mostra as ações dos policiais, de forma real, podemos perceber
claramente que os bandidos não tem medo de policia, pelo menos não tem o mesmo medo
que acomete o cidadão de bem.
No referido programa quando o
policial aborda o bandido, a gente sente até pena, pois os bandidos usam
palavras respeitosas, de subordinação e chamam os soldados de chefia, doutor...,
tentando ter uma conversa amigável com os policiais, confundindo nós
telespectadores, que muitas vezes nos sensibilizamos com eles, chegamos a
pensar que a polícia está equivocada. Porém no decorrer da ação, os véus caem e
numa boa abordagem policial descobrimos criminosos perigosos, e nos sentimos
frágeis e ingênuos diante dessas situações.
Então, medo de polícia é ensinado
pela própria sociedade e incutido por meio de diferentes mecanismos, dentre eles
os mais evidentes são os meios midiáticos, que fortalecem paradigmas, tais
como: polícia violenta, desumana, corrupta entre outros.
É imperativo que a sociedade
fique atenta e busque formas de aumentar a confiabilidade dos cidadãos de bem,
na polícia, promovendo programas educativos que fortaleçam os valores que
permeiam a não-violência, numa visão da polícia pacificadora e preventiva. O
poder público precisa investir na criação de uma polícia humanizada, dinâmica e
companheira do bem.
Eugênia Braga (artigo - Revista Trânsito Aberto, nº 6/2013)
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