Quando falamos em educação para o
trânsito, logo vem a ideia de um monte de normas, sinais, condutas que devemos
adquirir para garantir a nossa segurança e a de outrem. Isso por quê? Porque inventaram uma maneira
de se locomover de forma mais rápida e menos cansativa para chegar a algum
lugar.
Quando falamos em educação no trânsito,
a ideia emergente está relacionada a sermos cortês, amáveis, atenciosos e
outros adjetivos de uma pessoa educada, no sentido comum da palavra.
Há neste pequeno detalhe gramatical –
“para o” e “no” – uma ameaça de morte ou de acidente grave. Por exemplo: a
pessoa educada no trânsito pode
provocar acidente, quando em via de sentido duplo, percebendo que tem alguém para
atravessar, freia o carro – ou por ser uma faixa de segurança, a qual o obriga
a parar (educação para o trânsito) ou por vontade de ser solidário (educação no
trânsito). Tratando-se de faixa, o risco
do pedestre ser atropelado é menor. Não nula, pois a educação para o trânsito
ainda é precária. Na segunda hipótese, outros veículos que vem do sentido
contrário impedirão a pessoa de completar sua travessia, havendo ainda a grande
possibilidade do pedestre não perceber que a pista é dupla e sofrer um grave
acidente. Outro exemplo, muito comum, é de dois motoristas, num cruzamento e em
sentidos opostos, intencionam entrar na mesma via e ficam em dúvida sobre a
preferência. Até decidir de quem é a preferência – na pressa esquece-se da boa
educação e da educação para o trânsito –, e por coincidência ou por imprudência,
ambos arrancam e a conclusão: colisão! Há
ainda casos em que o motorista é o perfeito cavalheiro da “moda antiga”: é
mulher? Tem preferência! Daí a coisa complica mesmo! Muitas vezes não temos a mesma
forma de pensar que o outro e se a mulher sentir-se subjulgada, não irá a lugar
nenhum e o cavalheirismo do cidadão vai virar má educação, dando sequência a
uma infinidade de palavrões preconceituosos.
É necessário que tenhamos claro que
educação – boas maneiras – é importantíssima, mas não pode ser confundida com a
educação para o trânsito. Este pensar educativo para o trânsito requer muito
mais do que boas maneiras, é mais que um simples conhecimento espacial para os
transeuntes e motoristas. Educação para o Trânsito é uma forma de organizar a
vida coletiva, garantindo a segurança de todos os cidadãos. Acidentes acontecem
e, segundo as estatísticas, matam mais que numa guerra e a gente só percebe a
gravidade do assunto, quando acontece conosco ou com alguém próximo a nós.
É imperioso que as escolas tratam
deste assunto, incluindo em seus currículos programas sobre educação para o
trânsito, sistematizando o ensino e favorecendo a aprendizagem. Muitas
iniciativas estão acontecendo com relação ao ensino nas escolas, algumas
privadas e outras do poder público. A Secretaria de Trânsito de Jacareí e a
Secretaria de Educação são parceiras e desenvolvem projetos nesta área. É
preciso ensinar os pequenos, orientar os adultos e criar um meio de garantir a
paz no trânsito e o direito à vida.
Eugênia Braga (artigo - Revista Trânsito Aberto)
Eugênia Braga (artigo - Revista Trânsito Aberto)
Nenhum comentário:
Postar um comentário