quinta-feira, 2 de maio de 2013

Educação para o Trânsito ou Educação no Trânsito? Eis a questão!

Não! Não irei falar de um problema gramatical, mas o usarei para escrever o que percebo nesta nossa vida de pedestres e de motoristas.
Quando falamos em educação para o trânsito, logo vem a ideia de um monte de normas, sinais, condutas que devemos adquirir para garantir a nossa segurança e a de outrem.  Isso por quê? Porque inventaram uma maneira de se locomover de forma mais rápida e menos cansativa para chegar a algum lugar.
Quando falamos em educação no trânsito, a ideia emergente está relacionada a sermos cortês, amáveis, atenciosos e outros adjetivos de uma pessoa educada, no sentido comum da palavra. 
Há neste pequeno detalhe gramatical – “para o” e “no” – uma ameaça de morte ou de acidente grave. Por exemplo: a pessoa educada no trânsito pode provocar acidente, quando em via de sentido duplo, percebendo que tem alguém para atravessar, freia o carro – ou por ser uma faixa de segurança, a qual o obriga a parar (educação para o trânsito) ou por vontade de ser solidário (educação no trânsito).  Tratando-se de faixa, o risco do pedestre ser atropelado é menor. Não nula, pois a educação para o trânsito ainda é precária. Na segunda hipótese, outros veículos que vem do sentido contrário impedirão a pessoa de completar sua travessia, havendo ainda a grande possibilidade do pedestre não perceber que a pista é dupla e sofrer um grave acidente. Outro exemplo, muito comum, é de dois motoristas, num cruzamento e em sentidos opostos, intencionam entrar na mesma via e ficam em dúvida sobre a preferência. Até decidir de quem é a preferência – na pressa esquece-se da boa educação e da educação para o trânsito –, e por coincidência ou por imprudência, ambos arrancam e a conclusão: colisão!  Há ainda casos em que o motorista é o perfeito cavalheiro da “moda antiga”: é mulher? Tem preferência! Daí a coisa complica mesmo! Muitas vezes não temos a mesma forma de pensar que o outro e se a mulher sentir-se subjulgada, não irá a lugar nenhum e o cavalheirismo do cidadão vai virar má educação, dando sequência a uma infinidade de palavrões preconceituosos.
É necessário que tenhamos claro que educação – boas maneiras – é importantíssima, mas não pode ser confundida com a educação para o trânsito. Este pensar educativo para o trânsito requer muito mais do que boas maneiras, é mais que um simples conhecimento espacial para os transeuntes e motoristas. Educação para o Trânsito é uma forma de organizar a vida coletiva, garantindo a segurança de todos os cidadãos. Acidentes acontecem e, segundo as estatísticas, matam mais que numa guerra e a gente só percebe a gravidade do assunto, quando acontece conosco ou com alguém próximo a nós.
É imperioso que as escolas tratam deste assunto, incluindo em seus currículos programas sobre educação para o trânsito, sistematizando o ensino e favorecendo a aprendizagem. Muitas iniciativas estão acontecendo com relação ao ensino nas escolas, algumas privadas e outras do poder público. A Secretaria de Trânsito de Jacareí e a Secretaria de Educação são parceiras e desenvolvem projetos nesta área. É preciso ensinar os pequenos, orientar os adultos e criar um meio de garantir a paz no trânsito e o direito à vida.
Eugênia Braga (artigo - Revista Trânsito Aberto)

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