Segundo
o dicionário Aurélio, livre-arbítrio é a liberdade que o homem tem para agir
conforme a própria vontade, também o mesmo que autodeterminação. Na Wikipédia,
enciclopédia digital, livre arbítrio
é a capacidade de escolha pela vontade humana entre o bem e o mal, entre o
certo e o errado, conscientemente conhecidos, sendo crença religiosa ou uma
proposta filosófica.
Para
Santo Agostinho, obra do ano de 395 – De Libero Arbítrio – o livre-arbítrio está
ligado a escolha do bem ou do mal. Para a filosofia, o livre-arbítrio tem
origem no Determinismo que defende que todos os acontecimentos são causados por
fatos anteriores, sendo assim entendido
que o indivíduo faz exatamente aquilo que tinha que fazer, seus atos são suas
vontades, relacionadas ou ligadas a causas internas ou externas à pessoa.
A Revista
Veja (abril/acervo digital) surpreendeu muita gente, com a notícia de que os neurocientistas
realizaram, recentemente, pesquisas que sugerem que o que cremos como escolhas
conscientes são decisões tomadas pelo cérebro. Eles defendem a tese de que o
órgão toma decisões antes mesmo de pensarmos nelas. Assim o cérebro é comparado
a um “computador de carne”, causando muita polêmica no meio científico.
Nesta discussão
sobre o livre-arbítrio, não deixam de existir aqueles que acreditam que o
destino está escrito nas estrelas, é ditado por Deus, pelos instintos, ou pelos
condicionamentos sociais.
Refletindo
sobre essas ideias, levo para a Educação (da escola e da família) o fato de
termos cada vez mais de nos preocuparmos com nossas crianças e adolescentes,
que estão cada vez mais vulneráveis às informações diversas que estimulam o
cérebro a pensar e criar formas de conhecimentos que muitas vezes não são
percebidos pelos adultos que o educam.
Pior que
a ignorância do educador é o fato de tais conhecimentos, construídos pelas
crianças e adolescentes, estejam sob bases de valores longe dos ideais
solidários, fraternos, democráticos e humanos. Educar para o amor, para a
resolução de conflitos, para o resgate à vida social, parece ser tarefa só dos
religiosos, mas não é! É tarefa de todos.
Onde
entra o livre-arbítrio? Entra na clareza que devemos ter que todos, inclusive
as crianças e bebês, tomam decisões embasadas em seu modo de ver e sentir o
mundo e somos nós educadores que temos que dar subsídios para que sejam construídos
conhecimentos compatíveis com a convivência social, embasados no respeito às
diferenças, à religião, às diferenças culturais de forma a conciliar o que
cremos e queremos com o outro.
Educar
neste sentido é considerar que tudo que fazemos, falamos e transmitimos com
nossos gestos e trejeitos, são percebidos pela criança e muitas vezes
considerados, por elas, como modelo a ser seguido. Vale pensar: até que ponto o
nosso livre-arbítrio está a favor de uma boa educação?
Maria Eugênia - Professora e Jornalista (Revista Trânsito Aberto)
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