De uma mulher para outra...
Nesse nosso caminhar cotidiano, encontramos pessoas, algumas amigas, outras companheiras, colegas... outras cruzam o nosso caminho só para deixar uma mensagem. Foi assim que encontrei Dona Diná: dia agitado em uma escola de ensino fundamental, avó de um aluno, veio a mim, então diretora da escola, solicitar orientação de uma situação que envolvia seu neto. A senhora apresentava-se muito gentil, altiva, determinada e na sua linguagem simples, demonstrava muita vivência e conhecimento da vida e das regras sociais. Fiquei curiosa e quis conhecê-la melhor, começamos uma longa conversa sobre sua vida e descobri uma senhora muito politizada. Alguém que exercia sua cidadania apesar de nunca ter freqüentado um banco escolar. Uma cidadã comprometida com o bem estar do outro, o que a levava a protocolar solicitação de serviços públicos que beneficiavam outros, pelo prazer de fazer valer o cumprimento do direito do cidadão e do dever dos governantes. Em certo momento, comecei a suspeitar que possivelmente tratava-se de uma liderança “plantada” no bairro, mas minhas suspeitas logo foram diluídas pelo fato de Dona Diná posicionar-se como uma pessoa de direito e de deveres, esse último faz questão de cumprir a risca, e deixou claro que não “tem partido”, não tem compromisso com nenhum político, só com Deus. Gostei tanto de conversar com ela, de saber de suas lutas para sobreviver, porém o trabalho urge e tivemos que interromper a nossa conversa. Como não queria perder aquele relato tão rico de cultura e que demonstrava tanta sabedoria, tive a idéia de solicitar que fizesse um breve histórico de sua vida. Receosa com o “português” aprendido na sala de aula do mundo fez o relato que guardo comigo, com muito carinho, e nesse “Dia da Mulher” quero homenageá-la, pois assim acredito homenagear a todas nós: de mulher para mulher, assim nos entendemos.
Sua breve história: nascida prematuramente e abandonada pela mãe, teve madrastas, sofrida na lida da roça, com 12 anos veio para a cidade de São Paulo, trabalhou em casa de família, posteriormente, mesmo sem saber o que era ser “prensista” candidatou-se a vaga, foi esperta e fez o teste por último e teve a oportunidade de aprender “olhando” as candidatas, ganhando a vaga. Ficou grávida, foi abandonada pelo namorado, trabalhou como balconista sendo promovida à encarregada de uma loja atacadista. Casou-se, teve mais três filhos e quando seus filhos estavam maiores, veio para Jacareí para protegê-los “das coisas ruins”, como disse. Hoje estão casados e se sente vitoriosa na criação de seus filhos, ajudando a cuidar dos netos e como termina em seu relato: “minha vida é muito grande se for contar um livro é pouco...”
Parabéns Dona Diná pela suas lutas e pela suas vitórias! Obrigada pela mensagem.
Maria Eugênia Gonçalves Braga
Pedagoga, especialista em Psicopedagogia e Gestão Escolar
www.eugeniabraga.blogspot.com
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