terça-feira, 15 de julho de 2014

Para quem gosta de crônica... esta é minha. Abraço.
Eugênia Braga - professora e jornalista.
Fazendo uma autoanálise percebo em mim as influências de conteúdos veiculados nas mídias, que de forma subliminar ou mais explícita, influenciaram meu comportamento e de muitas pessoas.
Cito como exemplo minha experiência recente ligada à Copa do Mundo. Antes da Copa ouvi e via notícias veiculadas à figura de Neymar, que aos poucos foram construindo imagens que o elevava a um patamar de superjogador, despertando ideia de que (desculpe-me a gíria) “era o cara”, não um simples “cara”... mas um novo fenômeno, um salvador da Pátria.
Para os menos entendidos de futebol como eu, ficou claro que sem ele no time não ganharíamos a Copa. Então aconteceu o inesperado, Neymar sofreu uma lesão e foi afastado dos jogos finais. Eu e muitos brasileiros ficamos desolados, certos que não haveria mais chance para o Brasil. Mas não é que o pior aconteceu?
Ao olhar a fisionomia dos jogadores, durante os jogos que sucederam ao afastamento de Neymar, parecia estar estampado em seus rostos o fracasso, o medo, a falta de confiança... Talvez o meu lado “obscuro”, aquele que Freud falou tanto, via assim: todos derrotados! O pior de tudo: a profecia confirmou, pois perdemos de “lavada”. Em dois jogos, o Brasil levou 10 gols.
Domingo, no final da Copa refleti sobre minhas ideias: por que criei uma imagem de “semideus” de Neymar? Por que me deixei levar pelas notícias de forma acrítica? Costumo ser crítica e atenta aos acontecimentos, mas parece que algumas formas de fazer notícia tem o poder de seduzir, como “canto de sereia”, levando-nos num determinado momento a criar fantasias e construir imagens que distanciam da razão, da lógica, embrenhando em sonhos... afinal o time não é de um só jogador e sim de onze homens que se especializaram para fazer o melhor em suas carreiras.
Ao ler os textos deste módulo fiquei refletindo e conclui que realmente o jornalismo tem poder de influenciar pessoas e, num descuido... também pratica o ilusionismo!

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