segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Educar considerando o livre-arbítrio.



Segundo o dicionário Aurélio, livre-arbítrio é a liberdade que o homem tem para agir conforme a própria vontade, também o mesmo que autodeterminação. Na Wikipédia, enciclopédia digital, livre arbítrio é a capacidade de escolha pela vontade humana entre o bem e o mal, entre o certo e o errado, conscientemente conhecidos, sendo crença religiosa ou uma proposta filosófica.
Para Santo Agostinho, obra do ano de 395 – De Libero Arbítrio – o livre-arbítrio está ligado a escolha do bem ou do mal. Para a filosofia, o livre-arbítrio tem origem no Determinismo que defende que todos os acontecimentos são causados por fatos anteriores, sendo assim  entendido que o indivíduo faz exatamente aquilo que tinha que fazer, seus atos são suas vontades, relacionadas ou ligadas a causas internas ou externas à pessoa.
A Revista Veja (abril/acervo digital) surpreendeu muita gente, com a notícia de que os neurocientistas realizaram, recentemente, pesquisas que sugerem que o que cremos como escolhas conscientes são decisões tomadas pelo cérebro. Eles defendem a tese de que o órgão toma decisões antes mesmo de pensarmos nelas. Assim o cérebro é comparado a um “computador de carne”, causando muita polêmica no meio científico.
Nesta discussão sobre o livre-arbítrio, não deixam de existir aqueles que acreditam que o destino está escrito nas estrelas, é ditado por Deus, pelos instintos, ou pelos condicionamentos sociais.
Refletindo sobre essas ideias, levo para a Educação (da escola e da família) o fato de termos cada vez mais de nos preocuparmos com nossas crianças e adolescentes, que estão cada vez mais vulneráveis às informações diversas que estimulam o cérebro a pensar e criar formas de conhecimentos que muitas vezes não são percebidos pelos adultos que o educam.
Pior que a ignorância do educador é o fato de tais conhecimentos, construídos pelas crianças e adolescentes, estejam sob bases de valores longe dos ideais solidários, fraternos, democráticos e humanos. Educar para o amor, para a resolução de conflitos, para o resgate à vida social, parece ser tarefa só dos religiosos, mas não é! É tarefa de todos.
Onde entra o livre-arbítrio? Entra na clareza que devemos ter que todos, inclusive as crianças e bebês, tomam decisões embasadas em seu modo de ver e sentir o mundo e somos nós educadores que temos que dar subsídios para que sejam construídos conhecimentos compatíveis com a convivência social, embasados no respeito às diferenças, à religião, às diferenças culturais de forma a conciliar o que cremos e queremos com o outro.

Educar neste sentido é considerar que tudo que fazemos, falamos e transmitimos com nossos gestos e trejeitos, são percebidos pela criança e muitas vezes considerados, por elas, como modelo a ser seguido. Vale pensar: até que ponto o nosso livre-arbítrio está a favor de uma boa educação?
Maria Eugênia - Professora e Jornalista (Revista Trânsito Aberto)

domingo, 8 de setembro de 2013

Educar... tarefa para muitos!

             Educar para a esperança de dias melhores é um desafio para qualquer educador. Pais, mães, professores, tutores e pessoas que cuidam de crianças ficam impotentes diante de comportamentos, que requerem intervenções para mudança comportamental adequada ao convívio social.
Fatos marcantes aconteceram recentemente em que uma família foi supostamente morta por um membro adolescente. Uma pergunta inquietante: ninguém havia percebido algo ameaçador no comportamento do adolescente?
Vem se falando de bullyng, um tipo de violência psicológica que assombra crianças e adolescentes, tanto na escola quanto no meio familiar e que muitas vezes é apontado como desencadeador de comportamentos não aceitos socialmente. Outros fatores como psicose e distúrbios neuronais também entram neste cenário. Aliás, poderíamos enumerar quantos fatores provocariam comportamentos inadequados do ponto de vista social.
Viver em sociedade é uma condição de sobrevivência, é característica humana e cultural, qualquer comportamento que não contribua para o bom convívio, é um comportamento inadequado. É importante identificar os comportamentos inadequados e buscar, com afinco, as suas causas e consequências, a fim de promover o convívio harmonioso do sujeito em seu meio social.
Cabe aos profissionais, principalmente da Saúde e da Educação, conciliar métodos educativos e medicamentos, trabalhando em conjunto. Escola, família, médicos e terapeutas precisam de um trabalho integrado, comungar ideias e dividir responsabilidades sobre determinados casos que envolvam comportamentos sociais. O que se vê é professores solitários, cuja didática está desvinculada do contexto patológico, numa inércia excludente, por ignorância que justifica a sua função.
Professor não é terapeuta, não é sociólogo, não é fonoaudiólogo, não é médico. Professor trabalha com indivíduos que muitas vezes precisam destes especialistas, como também necessitam de respaldo deles. Um processo educacional, emergente, que vai além de “dar aula”, ensina coisas úteis para a vida e principalmente para o bem estar do indivíduo e do seu entorno.
Uma proposta educativa engajada com uma equipe de profissionais de diferentes áreas, talvez não evitasse algumas mazelas humanas, mas com certeza daria resposta à sociedade, sem ficar nos “achismos” e nas controvérsias das falas de muitos, contrapondo a poucas falas daqueles que lidam com as crianças e com os adolescentes.

O MEC há tempos sinaliza para que os governos criem centros de atendimentos multiprofissionais para crianças e jovens. Isso parece não ter caído no entendimento, ainda. As crianças e adolescentes são nossa responsabilidade, não podemos ficar sem respostas às perguntas que cabem à Educação e à Saúde.
Eugênia Braga - pedagoga e jornalista da revista regional "Trânsito Aberto".